
Sou como uma árvore
Estou agarrada à vida com raízes bem fincadas na terra, alimento-me do que vem da terra, da chuva, do carinho do homem que me cuida e ama.
Estou só como todas as árvores, mesmo junto umas das outras estão sós, não posso sair deste sítio, estou presa; ao trabalho, à falta de meios, à tristeza que não posso partilhar pois não resolve a situação, estou agarrada à terra, ao local, à vida.
Sou no fundo uma árvore feliz, não me falta nada; nem água, nem alimento, nem carinho, nem amor… só me falta arrancar as raízes e partir para conhecer o mundo, mas sou uma árvore e as árvores não podem sair do local onde foram plantadas.
Dobro-me ao vento, à chuva, à noite e ao dia. Dobro-me aos temporais, aos raios e trovões mas estou e vou ficar de pé, aqui agarrada com as raízes profundas na terra que me viu nascer e me há-de ver morrer, ou então derrubada sem dó nem piedade pela mão do homem que me plantou.
Que me plantou?... Não! Pelos netos ou bisnetos porque eu sou teimosa e hei-de viver aqui agarrada, com as raízes bem fincadas na terra, muito mais tempo que o homem que me plantou.
Só lamento que actualmente se derrubem mais que as que se plantam.